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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Abraço




Me abraçou, mudou tudo.
Estava prestes a eclodir, mas
a erupção não veio
e a lava,
me matou por dentro.

Esse amor tá tão difícil!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Absolutamente


Copo d'água na mesa.
Drink. Salgada!
Meu corpo não produz 
mais lágrimas, meu riso, 
Acho, nunca mais
Tem graça!

terça-feira, 8 de julho de 2014

D E R R E P E N T E

D E R R E P E N T E


De repente eu sei,
De repente eu sou,
De repente eu posso.
E assim logo vou,
E assim logo passo.
Assim breve, assim...
De repente!

Metamorfose.


Gosto do tempo que passa
por mim e depois
pergunta-me quem sou!


Cai Chuva

A grota ecando alto e os sapos 
cantando na madrugada,
Logo mais tem terra molhada!

À beira do lago


À beira do lago
 o reflexo do menino brincava 
de dançar nas ondulações que cismavam em ser
ondas.

Brevemente


Corpo minha casa,
Minha civilização,
Erguida com substâncias divinas.
Minhas células, minha consciência.
Meu rio de sangue,
Meu pântano, meu mar.
Casca, casulo.
Ponte de encontro, e de partida!
Ninho de vespas,
Sereno da noite.
Ponto de interrogação!
Corpo, minha Kriptonita,
Minha breve estadia,
Minha passagem de ida
Pro outro lado...
Da vida!

Quando os sentidos falham, a alma transborda e fala.









segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Trânsparencia

Não quero mais essa alma velha,
Nem esse rosto falso.
Não quero mais esse riso pouco.
E essa mania que nem minha é!
Não quero mais espelho no quarto.
Tô com medo, Tô mudando.
Morar de aluguel é muito chato
E caro!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Noutro porto!


O garoto parecia entediado, e não era de se estranhar, pois, tudo o que tinha era sua escrivaninha, telas, e pinceis. Pintava o céu de roxo desbotado com nuvens vermelhas, e o mar cobria de negro. Acima dele pôs um arco-íris de três cores, branca, Bege e marrom.
Suas lágrimas enchiam o vazio daquele mar e então seus contornos tornavam-se peixes. Piranhas devoradoras de sonhos, à espreita, camufladas em negro oceano para matar o mais pífio sinal de esperança que surgisse. Não entendo o porquê, mas, teve a ideia absurda de navegar em meio ao perigo e puxou algumas linhas e criou um barquinho de papel. Talvez não fosse um grande artista plástico, e testando suas habilidades se perdeu. O mar que ele criara continha uma forte força gravitacional ou quem sabe fantasmas, demônios, ocultos desejavam explodir seus pulmões e leva-lo para um limbo ainda maior.
As piranhas se aproveitaram de sua fragilidade e vieram tratar de retalhar ainda mais sua carcaça. Era só o que lhes restava, pois, a alma do garoto havia sido pescada por um artista certamente mais talentoso e com vasta experiência de vida. Ao abrir os olhos, não vira escrivaninha, telas nem pinceis. O outro pescador havia jogado fora tudo que lembrava ao fraco garoto entediado de viver. O outro pescador, também havia retocado sua própria carcaça. O céu não era mais desbotado nem tampouco o mar era negro. Depois que entendeu, partiu, foi aportar noutra vida, qual soubesse compreender.
E enquanto a caravela sumia na imensidão, ouvi algumas palavras ecoando no infinito, era o garoto que gritava:_ Nunca mais limbo... Nunca mais limbo... Nunca mais limbo!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Carta aos avós

Senhora, se você observar bem, perceberá as minhas unhas roídas e os meus dedos feridos. Isso senhora é ansiedade e às vezes medo.
Senhor, se você prestar bastante atenção saberá que temo sempre uma má palavra ou uma má interpretação sua.
Senhora, quando você passa por mim e começa a sussurrar, saiba que um frio percorre minha espinha e vai até a nuca e me faz rezar para que você não esbraveje comigo, mesmo quando não lhe dou motivos.
Senhor, quando eu baixo o volume do som saiba que é porque espero que você venha me dizer como as músicas que ouço são ruins e como estou lhe incomodando.
Senhora, quando você me olha e saí sem me dirigir a palavra, eu entendo isso como um sinal de desaprovação por algo que fiz, mas, não sei o que fazer por que não percebo o que provocara a sua reação.
Senhor, todas as vezes que você me julga pelos trabalhos que desenvolvo com relação a arte saiba que está matando os meus sonhos e ainda me faz evocar imagens de uma enxada, machado, serra, serrote, lenha, carvão ou outro trabalho mais sofrido que tenha feito.
Senhora, cuidado com as suas palavras, e com o seu silêncio...
Senhor, cuidado com a sua arrogância, e com a sua ignorância...
Senhores, sempre que vocês me negam as chaves de casa, estão me dizendo que não confiam em mim, que sou um desconhecido, ou, algo pior...
Senhores se vocês olharem bem para aquela direção e voltarem suas lembranças para o passado, dezenove anos atrás, perceberão que me viram crescer bem debaixo de seu teto, que me deram educação, dignidade, honestidade, humildade, humanidade, me deram índole, e que por isso, não têm motivos para desconfiarem de mim.
Senhores se vocês têm consciência e acreditam que me ensinaram tudo o que puderam e mais um pouco, fiquem tranquilos... Tenham paciência, pois eu não sou um estranho, e menos ainda... Estranho
Senhora, eu sinto muito por não conseguir fazer o café no ponto em que você gosta.
Senhor, eu peço que me desculpe por não ter o emprego que você idealiza para mim.
Vô,
Vó.
Faz algum tempo que passei da puberdade e outro tempo mais que deixei de ser criança.
Vó,
Vô.                                                                                                           

Eu... Já tô na faculdade!