Se não deve nada a ninguém, faça contas, pois irão te cobrar de qualquer maneira por qualquer coisa que seja.
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sábado, 8 de outubro de 2011
História sem fim
Pouco tinha a dizer além de que estava exausto
de lutar todos os dias contra seus inimigos.
Brinca de ser de verdade quando na verdade é mentira pura
e encara outro desafio ...
...
vestia- se com os personagens que insistia em estudar,
isso para garantir o refúgio,
um abrigo,
um amigo,
ou vários amigos ...
visto que já cansado de tanto viver cansado
De ser tão subestimado,
de ouvir os tantos recados
atravessados,
resolveu abandonar o cansaço
e ir trabalhar.
Quando chegou no trabalho
teve que dar conta do recado,
mas os recados de línguas diversas
o incomodavam.
A noite, na faculdade,
enquanto tentava estudar a psicanálise,
entendeu que o cansaço não o deixaria lá,
na sala ...
na cadeira ...
na condição ouvinte ...
seus pensamentos consequentes
do Id
do Ego,
aparentemente não esqueciam de o incomodar.
seu desejo era absurdo de fugir daquele lugar,
e fugir pra algum lugar,
e dormir por uma eternidade.
Quando tentou reavivar o interesse
delimitado pelo superego,
resolveram o encarar,
alguns foram os comentários, que
o deixaram desconfortável.
Perdeu sua linha de raciocínio
quando tentou escutar ...
As linguás diversas
vinham como fantasmas e os fantasmas
como pessoas
e as pessoas como
ameaças
e as ameaças
como simples descontrole.
Perdeu então a cabeça,
com os tantos pensamentos,
abandonou o personagem do dia
e cheio de seus inimigos resolveu que iria falar.
Não uso mais personagens,
não tento mais agradar,
Não faço mais perfis personalizados.
Não vou mais aturar esnobismos.
Sentiu sua liberdade,
sua condição de igualdade,
sentiu sua identidade chegar ...
sorriu, chorou ...
e derrotou seu pior inimigo,
o medo de não fazer parte ...
o medo ...
o ser próprio ...
a essência de sua alma.
Tornou- se seu melhor amigo.
esqueceu o desejo de fugir pr'outro lugar
pra algum lugar.
Não sentiu mais a necessidade
de dormir eternamente
e pós que assumiu o controle
enterrou todos os seus personagens .
Viverá feliz para sempre?
quem sabe !
...
sábado, 1 de outubro de 2011
Desabafo (Eles) ...
Dói ...
e você acorda de manhã e finge que nada aconteceu, que está tudo bem e que o dia será o melhor possível sem eles.
A espectativa é grande, e enquanto você segue no dia, ocilando em cada passo, você segue no dia com a ilusão ainda ativa ...
Utopia! Eles nem se quer se incomodam ...
então a noite chega e você sente cada golpe antes anestesiado pelo sangue quente.
O sangue esfria ... dói
e eles nem se incomodam!
E você fecha os olhos e dorme, e você acorda de manhã e finge que nada aconteceu ...
tudo de novo!
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
A vida da gente
Eu não sei o porquê,
mas sempre tive medo de gente grande, esse bicho brabo, mal resolvido, estressado com
qualquer probleminha da vida que acontece na vida da gente... Eu sou uma criança,
enganadamente, escrevendo pra driblar minha mente, pra ela pensar que eu sou
criança e para não dar problema pra minha mente e trazer consequência pra minha
vida, por que dizem que o que agente pensa a vida d'agente sente.
Sei lá, a vida
da gente é muito estranha, mas, a gente que vive na vida correndo da vida e
acelerando agente, num vive bem.
Por isso tô
enganando minha mente pra ela pensar que eu sou criança, que nem me preocupo
com o tempo, com o vento, com a poeira da vida da gente que suja a gente no dia
a dia, isso é problema na hora de lavar roupa. Tem gente que quer lavar roupa
todo dia, podiam esquecer a lavagem e viver sujo um tempinho na vida, pois
reservar um tempinho na vida da gente pra viver pra gente é melhor que viver na
vida sem saber que a gente vive.
Eu sou criança, enganadamente,
nem tenta entender mente de criança... Só é um estressinho básico da vida de
gente grande fingindo ser gente pequena pra viver a vida da melhor maneira.
Memorize... Memorize,
memorize...
Sou criança, sou
criança, sou criança...
Todo adulto tem
direito à alucinação.
Todo adulto tem direito
de querer voltar a ser criança, porque toda criança tem o dom de ignorar os
problemas mais complicados da vida e brincar nesse jogo de quebra cabeças.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Um recruta, um outro desejo e uma tragédia
A
carta dizia que ele fora elencado para atuar. Seu semblante tomou mil e uma
formas, nunca pensara em atuar naquele papel, nunca fora o drama que pretendia
viver, nem em seus mínimos interesses.
Lembrou-se
bem do dia em que tirou sua carteira de reservista, pouco mais que três
semanas, e seu choro fora reprimido pela falta de opção.
Comunicou
aos parentes sobre o recrutamento.
Lágrimas
de contragosto encheram os olhos de sua mãe. Não quis contestar o fato para não
dificultar inda mais as circunstâncias, apenas iria e serviria ao exército.
Aprontou
suas malas e não se esqueceu de rechiá-las com bons livros, Memórias de um
Sargento de Milícias, Dom Casmurro, e outros mais... Sua atenção voltou-se para
o título “A droga da obediência” depois ignorou a ironia.
A
vontade de atuar profissionalmente para ganhar a vida, não morreria. Assistiu
mais algumas vezes ao filme Anápolis, estudou o personagem central para pegar
os seus três - jeitos e aplicá-los como
meio de sobrevivência, sua arte prevaleceria sempre.
Outros
dias mais se passaram e então chegou a hora de sua partida, nesse momento se
deu conta de que as preces não adiantaram, nem mesmo as promessas de sua mãe.
Alguns
adereços foram entregues a ele, como um crucifixo que fora pendurado em seu
pescoço. Sua bisavó aproximou-se pouco mais para ofertar-lhe um abraço e
aproveitando o momento terno e tenso, colocou alguma coisa no bolso do garoto.
Alguns
metros depois do embarque, ele apresentou curiosidade pelo que sua bisa havia
lhe dado, não conferiu antes o material a pedido.
Explorou
o pequeno frasco, mínimo, como de amostras grátis de perfume.
Pensou
sobre o que poderia ser, pesou pouco mais, e pouco mais e mais. Lembrou-se de
como sua bisa sempre o apoiara, diferente de todos, mesmo afastados ela se
preocupou em ajudá-lo.
Sofreu
um insight e entendeu a mensagem, abriu o frasco e levou-o à boca.
Antes
que seus sentidos se desligassem o telefone celular tocou.
_Esqueci
de perguntar como você quer se chamar nessa outra vida.
Ele
sorriu com tom zombeteiro de sua avó; Por fim, respondeu:
_Miguel.
_Perfeitamente.
A
linha caiu, o celular caiu, o corpo de “Miguel “caiu.
Outro
personagem viria, no final das contas conseguiu escapar, fora mandado de volta
para a família.
Morto
algum serviria ao exército.
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