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sábado, 7 de julho de 2012

Areia movediça




Dois jaziam num buraco fundo de lama, pelo meio encobertos e sem qualquer sinal de ajuda para removê-los da morte vagarosa, mas ávida, que os vigiavam.  Restaram-lhe um ao outro, apenas, de asilo, o rosto de um refletido no olhar do outro e vice-versa via-se o desespero. Um diálogo de escape fora iniciado por menos vontade que opção.
_ Será possível? Morrermos assim sem ninguém? Atirou um contra outro.
_ Não desdenhe de seu companheiro de morte.
_ Não faço desdém. É a mais pura verdade.
Calaram-se em falta do que dizer! Minutos a mais se passaram e a lama já lhes alcançava o peito.
Afirmando que não entregaria a vida à lama, começou a se debater o que mais aflito parecia.
_ Se ficar parado, demora mais para afundar.
_ Para você é fácil falar, a lama parece repeli-lo. 
_ Talvez porque eu esteja quieto. Provocou.
_ Talvez seja sujo de mais até para morrer na lama.
_ Pode ser.
É como uma impureza saindo do corpo em forma de espinha.
O incomodo pesou sobre o outro, empurrando-o mais depressa para o submerso. Nem assim deixou de se importar com a frieza do companheiro de morte. Importunando-o.
Cada vez mais aumentava o tom de voz atirando palavras inconformadas. Perdendo o controle, debatendo-se, até que a lama o consumiu por completo.
Ainda imerso, esperou que as bolhas parassem de subir a superfície.
_ Morto! Única palavra que se atreveu em dizer ao outro que agora já não mais o poderia ouvir.
Calmamente levou um dos braços a frente, firmou a mão aos cabelos do corpo já atolado e puxou-o para si. Usou-o para sua fuga.
Saindo do buraco, limpou-se do cheiro de morte e lamentou pelo outro.
_Tivesse se preocupado em sair do buraco ao invés de ficar reparando... poderia ter se salvado.
Deu as costas e partiu para longe, deixou ali apenas o silêncio da morte.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Olheiros de Plantão ( Fuxico )

Minha preocupação é mínima para tais conversas, mesmo assim lhes digo que se CÚ fosse mesmo um palavrão ou mesmo uma palavra de pouco mais que dois caracteres, eu com certeza a atiraria para vocês, ladrões  de vida, não sabem viver as suas próprias?! Pois saibam que de mim não furtaram o melhor, meu arsenal bélico de palavras e menos ainda meu jeito natural de ver o mundo, de viver. Pena mesmo que CÚ não seja um palavrão, então, vão para o raio que os parta seus  pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, isso é um palavrão, nem cabe no contexto mas os fortes entendem...

domingo, 20 de maio de 2012

? INCÓGNITAS

A vida é cheia de encontros, desencontros e despedidas, quem deveras sabe quem deveras é na vida?!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Difusionismo! ...


Quem sou eu e o que é meu?

O meu olhar não é mais meu
Se penso estou disperso do que
Realmente quero ver.
O que eu sinto é de mentira
Um outro influenciou.
Meu eu não mais se permite
Sou um poço que secou.

Nada mais sou que réplica e
Ninguém sabe de quem,
São tantas as imitações.
Consequência da evolução
Roubadas de outro alguém.

Estou aqui, apenas além
E aquém de...
Compreender quem sou.
Busco agora por sentidos,
De viver e de criar se é que é
Possível chegar além
De outro lugar que
Alguém no princípio esqueceu,
De imaginar.

O que é meu?
Tudo ou nada.
Quem sou eu?
Alguém ou Ninguém.
Quem vai dizer não se sabe
Pois está perdido
na originalidade.

domingo, 29 de abril de 2012

Motivo



O que fazer quando a vida se torna uma prova de múltipla escolha ou quando escolher não faz parte da vida?
Não é simples parar para pensar. Pensar é complicado. Exige concentração, perseverança, desgaste físico e principalmente mental. É como se alguém que nunca passou por uma iniciação matemática estivesse tentando resolver um cálculo de álgebra.
E tudo se torna ainda mais difícil quando você se pergunta se a vida é mesmo assim tão complicada ou se somos nós quem não sabemos vive-la.
Fico assim imaginando como seria se tivéssemos nascido com bússolas embutidas nos punhos. O erro provavelmente deixaria de existir e catástrofes seriam evitadas, como por exemplo, cortar os próprios pulsos. Mas, aí repenso e percebo que a vida não teria graça. As emoções não existiriam, não traçaríamos mais paralelos de equilíbrio, não duvidaríamos nunca e confiaríamos sempre, o que seria catastroficamente perigoso, um erro talvez fatal. Não sentiríamos mais o delicioso frio na barriga, ou, o prazer do palpitar dos corações, esqueceríamos de pensar, os carecas deixariam de existir, assim como os suicidas, os charlatões, os anônimos, os outros...
Todos teriam o mesmo destino!
Escolheríamos sempre as mesmas coisas, não seguiríamos o conselho da sábia Clarice Lispector quando ela disse; “Mude”.
Então, para quê bússolas? Para que ficar pensando nisso?
Para complicarmos inda mais o que já é complicado?
O melhor a se fazer é aceitar de uma vez por todas e sem medo, sem choros e lamentações essa prova de múltipla escolha e parar de ficar tentando resolver cálculos de álgebra sem qualquer iniciação matemática.
Respire fundo e quando tudo parecer vasto de mais, beba um gole ou dois, se farte, se embebede, da bebida mais certa e curativa que existe... O tempo!
Descomplique relaxe, viva a vida. Não é tão difícil assim. Exercite sua felicidade, arrisque... Qualquer erro é mera consequência.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Homenagem


     Fernanda Mello,
     queria te conhecer.

     "Folhinha de abacate ninguém
      me combate"
   
      A não ser você que
      me bate,
      e me deixa igual chiclete
      grudento
      e com vontade de ter ...
      O Mundo!


espero que um dia ela veja isso !
kkkkkk, rsrsrs!

quinta-feira, 1 de março de 2012

S!NA


Quando nascemos, nos comprometemos. Como? Não se pergunte!
Não tente entender os mistérios, seja corrente... E não adianta apelar e dizer que não pediu para nascer, todos sabem disso, ou pelo menos, pensam que sabem, mas, vai saber se não existíamos de outros carnavais!
Quem garante que você enquanto outro ser que não há como dizer o que não pediu, implorou, exigiu para nascer?
Meus filhos... Entendam uma coisa, nós, somos filhos!
De quem ou do quê? Quem é que sabe! De muitos, de poucos, de mundos e planos talvez.
Mas, quer uma certeza? Quando Nascemos, nos tornamos prole de uma mãe chamada VIDA!
Uma mãe como qualquer outra, que trata bem, que corrige... E que castiga quando preciso.
A maneira como você a quer encarar é uma escolha...
Você pode escolher ser obediente ou desobediente.
Se for sereno, terá serenidade!
Se for intenso, por completo ou por aqui e acolá, no meio termo... Seja, mas, lembre-se de que está comprometido.
Se plantar, colherá...
E se quiser repetir a dose de outros carnavais, quem sabe, repita. Os desejos não devem ser reprimidos, pois enquanto adormecidos estarão sendo alimentados, e meus filhos... quando acordarem!
Bem, Arquem com seus erros e vivam-nos. 
Nós nascemos e por isso estamos sujeitos... e nada somos além de eternos aprendizes.