Fincou pé à ignorância e declarou que a
solidão em nada o incomodava.
Se as palavras não
fugissem vez em quando, o som de sua voz seria sempre um mistério. Os mais
próximos lhe disseram que tamanha privação da vida era igualmente um atentado a
sua própria existência. A consideração em nada lhe valeu, então, um a um foram
desistindo das advertências. Primeiro os amigos, dos poucos que tinha, e por
fim os parentes.
Ganancioso que era,
esquecera-se de partilhar.
Não possuía espelhos em
casa, seu reflexo era projetado por seus diplomas. A busca pela perfeição
tornou-se compulsiva, obsessiva, e gradativamente ia perdendo sua essência.
Entupiu-se de trabalho
para aumentar o ego de sua eficiência e manteve o ritmo até dar-se por conta da
senescência. Os ossos não lhe eram mais sãos, e outros tantos problemas
apareceram. Ao ressentir-se da saúde
resolveu que uma companhia lhe faltava, mais para prestar serviço que de fato
companhia. Arrogante, não fora capaz de conquistar, comprou uma página inteira
de jornal e escreveu suas exigências. Não obteve respostas.
Apegado à sua
alto-suficiência aposentou-se do ofício. Da vida já não exercia, e nem lhe
restava mais nada.







