Total de visualizações de página

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Por qual porta?

Tantos precipícios, tantos espinhos me cercam, e tento com tudo que tenho erguer uma ponte para chegar ao outro lado e tomar a água do rio. Minha garganta tão seca quanto deserto, por engolir as palavras que seriam os tijolos mais eficientes da ponte. Mas sobre essa base talvez não passe pois é de sangue que precisa para se firmar. Sangue de outros. Outros que dizem me amar, e acreditam cuidar da maneira certa. Pensamento certo, medidas erradas. E esse rebelde sem causa, se esconde atrás de uma máscara por tentar ser o estereótipo adequado. Serei eu o culpado das coisas, e influente das causas?! Por que tão cedo me arrancaram a essência de criança que tão breve maduro, e para muitos, já podre, sou, por não ter consciência dos meus feitos, dos meus atos. Pensei que fosse lógico, mas são poucos os que decifram hieroglifos. Não me restaram janelas. Por portas não passo, mas quem sabe uma dia dessas palavras... me desfaço.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Carta à noite



Dormiu durante o dia inteiro. À noite, foi se apegar ao diário. Em sua casa não cultuavam o hábito do diálogo, então, lhe restavam lápis e papel.
E Pedro escreveu;
É noite, e descobri que não me assusta. Ilusão talvez...
Mais que isso. Me alivia os pesadelos, enquanto fujo do sono, e dúvidas, da vida. Angústias, mágoas do ser que em ainda desconheço.
Em meu interior, não sei se há besta fera,
ou anjo de luz. Em qualquer que seja a condição, só preciso que passe, como estação, como fase de lua.
No cerne de minh'alma sinto que a necessidade nem sempre fala tão mais alto que as expectativas depositadas em meu ombros. Objetivos dos pais que, como quaisquer outros, esperam o melhor de seus filhos. Essa preocupação, negação, quanto ao medo, quanto ao tempo, desestabiliza as bases das quais me guiam a razão, e solidifica as incertezas!
Se não me amedronta, a noite, é porque faço parte, ainda estou no escuro. Não sei se espero que amanheça, mas, caso aconteça, que o dia não me assuste, tal qual esta.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Carta para Sandy

Homenagem

Que me perdoem as pessoas que sofreram com esse fenômeno. Às vítimas dessa tragédia, minhas sinceras e penosas condolências, e peço, como quem faz uma prece, que não venham pela noite puxar meus pés. Não me perturbem. É que tal comparação a qual me proponho, e pretendo, fazer é necessária, além de ter sido a melhor que encontrei. Eu realmente lamento.
Uma pena o efeito contrário que sofreram, mas, me arrisco em dizer, e dane-se caso eu seja apedrejado por essa declaração. Eu insisto, continuo, e afirmo. O furacão Sandy passou por mim. Passou por aqui e se acomodou logo ali, do lado de casa. É vizinho agora.
Feita a tal comparação, ou sei lá, qual nomenclatura se encaixa ao texto, e pouco importa, pois este, como disse, é por motivo de homenagem.
Nessa data, vinte e seis de dezembro, faz quinze anos que esse furacão Sandy estraga a vida dos próximos. Desses estragos que lamento pelas outras vítimas não terem sofrido, não terem passado. É estrago de mimo, é estrago de amigo. Nesse caso, é sim uma honra ter ao lado um furacão Sandy.
Uma amiga maravilhosa. Filha exemplar. Irmã como nenhuma outra, e uma pessoa genial.
Esse furacão não deixa de ser uma tragédia. Mata, mas de ri. Tem poder de convencimento, e inocência legítima. Porém, é astuta o suficiente para interpretar as ocasiões. Sabe bem o que dizer quando lhe pedem um conselho, e melhor que as palavras que diz é o silêncio que faz enquanto enquanto houve um desabafo. Todo ouvidos, lhe empresta o ombro pra chorar e nunca, nunca vende a amizade. O melhor de tudo, é que depois do momento down, volta a atacar de furacão, uma ventania que só, que sopra pra longe todos os problemas.
Sandy, parabéns. Que Deus abençoe sua vida.
Machado de Assis disse que "aos quinze anos, tudo é eterno", aproveite essa eternidade com sabedoria.
Menina, mulher. Menina, Moleca. Agora ganha outro apelido, Furacão Sandy, desses que causam... Alegria!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Fel




Em veneno de cobra me corta a pele, 
a adaga.
E não resta tempo para perfurar o coração.
Tão rápido queima, quão ágil se espalha
Exatamente no tempo dessas palavras,
e parto, para o nunca, para o sempre,
para longe... para longe!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Desenhos ou rabiscos?


Meus traços podem não ser perfeitos, mas minha imaginação perturbará sua mente.


Ouça mais, e segure a sua língua!


domingo, 9 de dezembro de 2012

Canibais


Para surpresa dos mais ocupados a mesa estava repleta de partes, um corpo destrinchado compunha a decoração dos pratos, enquanto que outro ao centro, inteiro, mordia uma maçã e ao que tudo indicava, estava recheado!
A intenção era fazer uma ceia diferente. 
_Em noite de natal, é de se esperar algumas surpresas, e também presentes. 
Esta fora a justificativa. Então, tocaram os sinos para o banquete.
Os mais famintos serviram-se de pedaços maiores, enquanto os mais comportados beliscavam e provavam a exoticidade.
Tão boa estava a comida, que logo se acabou. Mas os convidados não estavam satisfeitos, queriam mais. Bradaram em reclamações. Haviam pagado por um grande buffet, exigiam pelo mesmo!
Mandaram chamar os organizadores. 
_A comida acabou!
_Absurdo!
No canto dos lábios surgiam sorrisos em tons e intensões diferentes. No silêncio dos convidados disseram em uníssono que apenas haviam desfrutado do prato de entrada.
_E onde está o prato principal? 
E houve um novo alvoroço.
_O prato principal está no salão, olhem a sua volta. Devorem-se!
E enquanto alguns ainda arrepiados processavam a informação, outros já tinham seus estômagos trabalhando na digestão. O gosto era bom, nada diferente do que já estavam acostumados a fazer no dia-a-dia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pressa


                                 
                                                   É seu pranto, derrame-o.
                                                  É seu lamento, reclame-o.
                                         Não te espere morrer. É Sua chance, 
                                                              agarre-a.
                                          Do seu quarto, limpe as vidraças.
                                                    Que lá fora, o tempo...
                                                                passa!