Total de visualizações de página
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Espectros de um irrelevante visionário!
Nesses dias o sono tem pesado mais.
Será um prelúdio pra morte?
Se for, restam dúvidas!
Não sei se quero morrer tão cedo,
muito embora eu seja um romântico.
Essa lógica parece ser uma contextualização correta?
Ainda assim...
Seria um trunfo ou uma glória?
Mais certo, nada!
Sejamos realistas
Nos dias de hoje o romantismo parece não valer.
Eu me serei fiel.
Tem que dançar o batidão se quiser fazer parte.
Posso constatar que não sei dançar.
Ainda não me acostumei com esse ritmo
que mistura instinto primitivo com acasalamento.
Que maltrata a razão e evoca uma condição de zoo.
Essa lógica parece ser uma contextualização correta?
E essas indagações que são?
Pode um menino viver feito homem
Desvirginando a madrugada com filosofias e
TOCs...
Por não conter no peito a angústia
Nos olhos a venda, e na alma o pecado?
Pode a ideia ser retrógrada, sem sentido
E solitária quanto a lírica do moço?
Que sono é esse que assombra e faz lembrar a morte?
Então é verdade que são companheiros,
donos das células dos nossos corpos?
Serão cúmplices o cobertor e o travesseiro
Os amigos traiçoeiros e as promessas mentirosas?
Será o medo o motivo de um monólogo
Que coloca a prova o ato de viver com tantos medos?
De quantos atos somos feitos?
De um bocado?
Encontrados em roteiros corriqueiros?
Somos nós de autoria própria ou
Produzidos por um Mestre que está além do limbo de nossas mentes?
E o infinito existe, se esse limbo ainda insiste em achar que universo é uma extensão da gente?
E a idade?
É indicativo de sanidade ou é mera formalidade
Pra encarcerar quem tente entender essa corrente
Que liga uns e outros, muitas vezes... Dito loucos
Que viajam livremente sobre a tênue linha
Da loucura e da hipocrisia!
E o tempo?
Será o motivo da exaustão e
que deixa à margem os menos evoluídos?
A evolução é um fator em evidência ou
Sinônimo de decadência de um Império em ascensão?
Serei eu um visionário irrelevante
Com seus espectros, Desnorteado
Sem lugar nem direção?
E essa lógica?
Parece ser uma contextualização correta?
Se for, ainda assim
Restam dúvidas!
Mas... E essas dúvidas?
Seriam um trunfo ou uma glória?
Mais certo, nada!
_ H. M . B _
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
E S S E N C I A
Sexo Drogas e Rock'n
Roll. Êxtase. Bobagem. Bagagem. Sanidade. Óbito. Obituário. Mamadeira. Morreu
quando nasceu por excesso de talento e escreveu um refrão arranhado, marcado,
descompassado, desvinculado de tudo que viu e ouviu. Fênix, renasceu e se desiludiu
outra vez, ressurgiu. Relicário. Memórias dispostas em notas de rodapés.
Desenhos, rabiscos, retratos. Quadros, quadrilha, vida regular. Vida besta.
Alquimia. Quimera, quem dera tivesse feito outro verso, certo, diferente do
negro do outono frio. Pintado uma primavera de flores, quem dera! Quem dera sem
algemas ou calabouços, encontrasse num outro sujeito um moço descente, menos
dissimulado, menos ousado e mais prudente, um sujeito sortudo. Sorte. Riso.
Sono. Sonho. Janelas, abertas com vista pro mar. Perdido sem tempo deslumbrando
o azul imenso do céu. Mistério. Estrela cadente. Pedido de olhos fechados um
dia a mais para contemplar o sol. Poente. Ponte. Outubro. Novembro. Dezembro.
Janeiro. Fevereiro se aproxima. Tereza espera. Impaciente. Médico. Paciente.
Essencial. Terapia. Essência. Terapeuta. Mente, mente, mente! Um ano a mais até
abril, pelo menos, sem mentiras, sendo gente sã. Saudável, com pulmões
funcionando a pleno vapor, sem fumaça. Só vermelho correndo nas veias e
permitindo aproveitar um dia a mais a vida inteira como tal, sem personagens,
longe dos palcos que a consumiu e desapareceu deixando apenas I N T E R R O G A
Ç Ã O.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Aquela Nota Sol
Aquela nota Sol
Na primeira nota você já atina ao som
Pensa que conhece, mas, não Conhece
Não.
Essa é nova,
Abre a porta pra falar de solidão.
Tinha um acordo de autoria, de palpite
de participação.
Mas não cabia não,
Mas não cabia não.
Aquela nota era um sol
E tava um breu, uma escuridão
E não cabia sol
Na minha solidão.
Sol/Solidão
Sol/Solidão
Solidão/Sol
E não fazia sol
na minha Solidão.
Tinha um acordo de autoria, de palpite
Sol/Solidão
Amor de ET
Eu já disse a você e cansei
Eu não sou um ET e não sei,
Que raio de bobagem, mas
Que insanidade!
E se eu vim de marte e daí?
O que é que eu posso fazer?
Você diz que me ama assim,
mesmo assim diz que sou um...
Etc...
Um pouco de bobagem faz bem,
E deixa de bobagem meu bem.
Chega aqui que eu quero te beijar,
Tanta coisa quero te falar!
Não quero ir pro espaço
E ET apaixonado, acredite
Faz mal.
Aquela colônia cara.
Você tá emburrada comigo,
Só porque não te dei aquela
Colônia cara.
Se é isso vamos, saia comigo.
Que eu te compro essa tal
Colônia cara.
Esse quadro parecia mais com você
Eu pensei que fosse uma fã de Debret
Me enganei ao pensar que era a sua cara.
Me enganei de mais...
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Abraço
Estava prestes a eclodir, mas
a erupção não veio
e a lava,
me matou por dentro.
Esse amor tá tão difícil!
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Absolutamente
Copo d'água na mesa.
Drink. Salgada!
Meu corpo não produz
mais lágrimas, meu riso,
Acho, nunca mais
Tem graça!
terça-feira, 8 de julho de 2014
D E R R E P E N T E
D E R R E P E N T E
De repente eu sei,
De repente eu sou,
De repente eu posso.
E assim logo vou,
E assim logo passo.
Assim breve, assim...
De repente!
Metamorfose.
Gosto do tempo que passa
por mim e depois
pergunta-me quem sou!
Cai Chuva
A grota ecando alto e os sapos
cantando na madrugada,
Logo mais tem terra molhada!
À beira do lago
À beira do lago
o reflexo do menino brincava
de dançar nas ondulações que cismavam em ser
ondas.
Brevemente
Corpo minha casa,
Minha civilização,
Erguida com substâncias divinas.
Minhas células, minha consciência.
Meu rio de sangue,
Meu pântano, meu mar.
Casca, casulo.
Ponte de encontro, e de partida!
Ninho de vespas,
Sereno da noite.
Ponto de interrogação!
Corpo, minha Kriptonita,
Minha breve estadia,
Minha passagem de ida
Pro outro lado...
Da vida!
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Trânsparencia
Não quero mais essa alma velha,
Nem esse rosto falso.
Não quero mais esse riso pouco.
E essa mania que nem minha é!
Não quero mais espelho no quarto.
Tô com medo, Tô mudando.
Morar de aluguel é muito chato
E caro!
Nem esse rosto falso.
Não quero mais esse riso pouco.
E essa mania que nem minha é!
Não quero mais espelho no quarto.
Tô com medo, Tô mudando.
Morar de aluguel é muito chato
E caro!
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Noutro porto!
O garoto parecia entediado, e não era de se estranhar, pois, tudo o que tinha era sua escrivaninha, telas, e pinceis. Pintava o céu de roxo desbotado com nuvens vermelhas, e o mar cobria de negro. Acima dele pôs um arco-íris de três cores, branca, Bege e marrom.
Suas lágrimas enchiam o vazio daquele mar e então seus contornos tornavam-se peixes. Piranhas devoradoras de sonhos, à espreita, camufladas em negro oceano para matar o mais pífio sinal de esperança que surgisse. Não entendo o porquê, mas, teve a ideia absurda de navegar em meio ao perigo e puxou algumas linhas e criou um barquinho de papel. Talvez não fosse um grande artista plástico, e testando suas habilidades se perdeu. O mar que ele criara continha uma forte força gravitacional ou quem sabe fantasmas, demônios, ocultos desejavam explodir seus pulmões e leva-lo para um limbo ainda maior.
As piranhas se aproveitaram de sua fragilidade e vieram tratar de retalhar ainda mais sua carcaça. Era só o que lhes restava, pois, a alma do garoto havia sido pescada por um artista certamente mais talentoso e com vasta experiência de vida. Ao abrir os olhos, não vira escrivaninha, telas nem pinceis. O outro pescador havia jogado fora tudo que lembrava ao fraco garoto entediado de viver. O outro pescador, também havia retocado sua própria carcaça. O céu não era mais desbotado nem tampouco o mar era negro. Depois que entendeu, partiu, foi aportar noutra vida, qual soubesse compreender.
E enquanto a caravela sumia na imensidão, ouvi algumas palavras ecoando no infinito, era o garoto que gritava:_ Nunca mais limbo... Nunca mais limbo... Nunca mais limbo!
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Carta aos avós
Senhora, se você
observar bem, perceberá as minhas unhas roídas e os meus dedos feridos. Isso
senhora é ansiedade e às vezes medo.
Senhor, se você prestar
bastante atenção saberá que temo sempre uma má palavra ou uma má interpretação
sua.
Senhora, quando você
passa por mim e começa a sussurrar, saiba que um frio percorre minha espinha e
vai até a nuca e me faz rezar para que você não esbraveje comigo, mesmo quando
não lhe dou motivos.
Senhor, quando eu baixo
o volume do som saiba que é porque espero que você venha me dizer como as
músicas que ouço são ruins e como estou lhe incomodando.
Senhora, quando você me
olha e saí sem me dirigir a palavra, eu entendo isso como um sinal de
desaprovação por algo que fiz, mas, não sei o que fazer por que não percebo o que
provocara a sua reação.
Senhor, todas as vezes
que você me julga pelos trabalhos que desenvolvo com relação a arte saiba que
está matando os meus sonhos e ainda me faz evocar imagens de uma enxada,
machado, serra, serrote, lenha, carvão ou outro trabalho mais sofrido que tenha
feito.
Senhora, cuidado com as
suas palavras, e com o seu silêncio...
Senhor, cuidado com a
sua arrogância, e com a sua ignorância...
Senhores, sempre que
vocês me negam as chaves de casa, estão me dizendo que não confiam em mim, que
sou um desconhecido, ou, algo pior...
Senhores se vocês
olharem bem para aquela direção e voltarem suas lembranças para o passado,
dezenove anos atrás, perceberão que me viram crescer bem debaixo de seu teto,
que me deram educação, dignidade, honestidade, humildade, humanidade, me deram
índole, e que por isso, não têm motivos para desconfiarem de mim.
Senhores se vocês têm
consciência e acreditam que me ensinaram tudo o que puderam e mais um pouco,
fiquem tranquilos... Tenham paciência, pois eu não sou um estranho, e menos
ainda... Estranho
Senhora, eu sinto muito
por não conseguir fazer o café no ponto em que você gosta.
Senhor, eu peço que me
desculpe por não ter o emprego que você idealiza para mim.
Vô,
Vó.
Faz algum tempo que
passei da puberdade e outro tempo mais que deixei de ser criança.
Vó,
Vô.
Eu... Já tô na
faculdade!
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Suplício de um coração doente
Está presa na garganta,
e eu
Esqueci-me de avisar.
Tranquei as portas, e o
choro
Está preso.
E os olhos, estão
secos.
E a mágoa...
Fria como um prato de
sopa,
Que ninguém ousa tocar!
A chave está perdida.
Atirei-a com todas as
forças,
No deserto mais
inóspito que conheço,
Com pesar, e lástima,
Seu coração.
Minha vida passa e
atropela,
Feito trem
descarrilado,
Meus anseios e sonhos
de rapaz casto.
Enquanto sua genitália
continua
A implorar, por canalhas
Que a possuam.
E quando penso sobre
tudo,
Todas as promessas
feitas,
A casa, nós dois na
varanda,
Os filhos no jardim,
E o sorriso em nossos
lábios
Contemplando a beleza
da cena,
Lembro também da vida
Clandestina, do amor
Não correspondido e da
mentira
Que resseca a boca e
prende
A angústia... Na
garganta.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Frágeis Brinquedos
Crianças brincavam à
beira da calçada, e a três passos estava à estrada que tremia com o passar dos
carros, ônibus, caminhões... Pedestres e ou mesmo bicicletantes não se
atreviam, nunca se aventuraram por entre as buzinas vorazes, ferozes, mortas de
desejos por sangue nos para-brisas. E aconteceu, a desgraça!
Num átimo de segundo, o
menininho que montava um velocípede descontrolou-se e entrou no caos da
estrada, alimentando a esperança dos automóveis de alimentarem as estatísticas.
Tive que fazer uma prece aos céus, apelar pela misericórdia do pai celeste,
mas, não tive ânimo para dobrar os joelhos e apenas cobri o rosto com as
mãos, espreitando por entre os dedos e agonizando em desespero.
No meio da prece fiquei
admirado, o pai do coitado, estava sentado numa cadeira de balanços observando
a desventura do filho. Não se levantou tarde, não se levantou nunca... E os
automóveis, as estatísticas se banquetearam.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Mundo Amarrotado
Desde quando o mundo
está perdido?
Ou faz tempo, absurdo,
que penso,
Ou me perdi na curva,
absurda, do pensamento.
Da perdição.
Quem sabe eu não... Eu
não saiba, a resposta.
E não posso exigir da
memória
Mais que o regresso ao
ano de
Mil novecentos e
noventa e três.
Ano que nasci.
Mas aposto que bem
antes disso o mundo
Já estava perdido.
As pessoas já estavam
desenganadas.
A vida terrena foi dada
como morta.
Dois mil e dois chegou,
e... Passou...
O fim se aproximara,
mas quando nos viu de perto.
Não se atreveu a
entrar.
As pessoas eram hostis,
nada acolhedoras.
Foi-se embora.
Prometeu voltar
recentemente
Mas também não se
atreveu,
Os produtores
cinematográficos
Embelezaram de mais a
maneira como aconteceria
E então, o fim não se
atreveu.
Teve medo de não
corresponder às expectativas.
Voltou para órbita, para
o espaço.
Ficou nos observando. E
viu:
Viu mãos que matam
Cérebros grandes
Seres que mentem
Máquinas imensas
Ganância
Engenhosidade
Deuses brincando de construir,
Destruindo o que Deus
criou!
Não sabe se volta.
Acho que não volta.
Que tragédia
Que lástima!
Percebeu que não
precisaria acabar conosco,
Que já estamos de luto!
terça-feira, 30 de abril de 2013
Serpentes
Era esperta, uma cobra,
persuasiva e perigosa. Veio sensualizando, sussurrando em meu ouvido e querendo
chupar meu pênis. Promíscua! Queria mesmo era me manipular para encontrar
respostas, descobrir segredos, desvendar mistérios, destruir vidas. Cismado que
sou, percebi sua intenção antes que me rendesse ao desejo. Se fosse por
instinto e não medisse a razão daria a ela exatamente o que queria.
Ela continuou subindo
em cima de mim, tentando me masturbar, e me disse que nunca eu encontraria uma
língua tão hábil quanto à dela, ou útero tão quente. Não aguentei, e agora que
havia racionalizado tudo, me rendi. Gozei como nunca, tremi, e urrei como urso.
E ela ficou esperando o troco, que eu lhe contasse o segredo, mas eu
simplesmente subi a calça, vesti a camisa, calcei o tênis e saí.
Ouvi-a me acusar de
guardião de memórias e me atribuir outros sinônimos mais. Tinha uma boca bem
porca, mas, no final das contas não era tão perigosa, nem esperta quanto
pensei. Melhor que ninguém deveria saber que é da natureza do homem agir por
conveniência, ser manipulador e persuasivo, tal qual a cobra.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Contando estrelas
E ficou ali parado, olhando o céu, de noite, no sereno, na companhia de si mesmo. Despedindo-se do domingo. Capaz que havia contado estrelas. Tinha uma verruga no dedo!
sábado, 20 de abril de 2013
Abandono
E fiquei
esperando no banco da praça enquanto papai sumia na esquina. Disse que voltaria
logo, só iria ali comprar cigarro, pra ele, pão e leite pra mamãe e eu.
Era à tardinha e
um belo crepúsculo enfeitava o céu. Misturei-me
às cores, e não sei, não sei se anoiteceu ou se fui eu quem fechou os olhos e
acabou por adormecer. Só sei que uma mão me sacudiu, então, despertei. O rosto
não me era familiar, um estranho, não restou dúvidas. Ele só quis me alertar
dos perigos que circulavam a praça enquanto noite, depois foi embora, e eu
também, é que papai não voltou.
Tive que
amadurecer depressa para comprar leite e pão para mamãe e eu, ou a vida me
atropelaria. Mamãe coitada estava ainda mais enferma. Eu quase não dormia, só
fazendo bicos pro gasto dos remédios. E todos os dias era a mesma peleja, mas,
sempre passava por aquela praça. Um dia vi o homem que sumiu na esquina, fui
até lá e ele me pediu cigarro.Atendi seu pedido. Depois disso, nunca mais o vi,
deve ter morrido de câncer, perecido num banco de praça qualquer.
Não guardo
rancores, ao menos me deu um presente; Fez-me contemplar um dos mais belos
crepúsculos que vi na vida!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Gente Hipócrita
O mundo está sofrendo
com overdose de hipocrisia. Filho avisa sua mãe, beata, que seu pai come sua
tia, mas fala pra ela não fazer muito alarde. É que se não o caso dela com o
padre lá da igreja, aquele mesmo, que os fez jurar na alegria e na tristeza, na
saúde e na doença, esses votos de casamento, vem à tona!
Menino, se isso
estoura... Vai envolver a paróquia, vai virar manchete de jornal, e vai ser
caso de polícia. É que ele andou furtando!
Mas isso será o de
menos. Haverá explicação.
Estava juntando um
dinheiro para comprar um lugar melhor no céu pros seus irmãos e irmãs.
Só quero é ver como ele
vai explicar pro seu pai, o prefeito, que abriu mão do celibato em prol de
perpetuar sua espécie. Espécie fajuta, mesquinha, hipócrita!
Se bem que pensando
bem, também não terá problema!
Ele tem o prefeito nas
mãos. Causo antigo. Uma fraude na prefeitura.
A velha história de
Clero e Nobreza. Lembra-se disso? Não?
Verdade, não lembra.
Esqueci que sua professora de história era uma gostosona que vivia se
insinuando pra você.
Não te culpo, não pode
segurar e traçou mesmo.
Afinal de contas, esqueci-me
de contar que você é filho do padre.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Espetáculo
Tinha um corpo inchado.
Na cara um marrom
desbotado
e uma lágrima
pintada de azul.
No canto dos
lábios, vermelho!
Franzia o cenho
amaçado,
e mordia, ficava
enrugado, ficava vermelho.
Dava pirueta,
fazia um rodeio...
um rodeio, um
rodeio...
de pés nos chão,
como se fosse um peão.
Em uma das mãos um
cordão,
noutra punha uma
luva de boxe.
Quem sabe queria
amarrar,
e prender, e
laçar, ou,
matar, sua plateia,
espetacular,
de rir.
E no centro do
picadeiro,
o cara inchado
continuava.
Brincava, corria,
pulava, rodava e gritava;
_Eu sou um
palhaço.
Mas ao final do
espetáculo,
quando as cortinas
em fim se fechavam,
por detrás da lona
turvada, a lágrima azul desbotada
caia e sumia!
O cenho vermelho,
desaparecia, sumia...
a alegria!
E o vermelho do
lábio era sangue, que agonia!
Quantas marcas
trajava? Quantas cicatrizes a tinta cobria?
Disfarçava o cenho
sofrido. Magia,
de quem era mesmo
um peão.
Enquanto girava, a
luva de boxe nas mãos
mostrava que o
palhaço era também guerreiro.
Sabia viver sem
enlouquecer com o mundão.
E a plateia lá
fora, eufórica, impressionada,
sorria, só ria e
esperava
Enquanto o palhaço
pintava seu rosto
de tinta e voltava
para o picadeiro
e brilhava...
Tendo às mãos um cordão e
suas luvas de
boxe. Acrescentando à sua vida dupla
mais um capítulo
de sua história!
Assinar:
Postagens (Atom)





















