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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Espectros de um irrelevante visionário!


Nesses dias o sono tem pesado mais.
Será um prelúdio pra morte?
Se for, restam dúvidas!
Não sei se quero morrer tão cedo,
muito embora eu seja um romântico.
Essa lógica parece ser uma contextualização correta?
Ainda assim...
Seria um trunfo ou uma glória?
Mais certo, nada!
Sejamos realistas
Nos dias de hoje o romantismo parece não valer.
Eu me serei fiel.
Tem que dançar o batidão se quiser fazer parte.
Posso constatar que não sei dançar.
Ainda não me acostumei com esse ritmo
que mistura instinto primitivo com acasalamento.
Que maltrata a razão e evoca uma condição de zoo.
Essa lógica parece ser uma contextualização correta?
E essas indagações que são?
Pode um menino viver feito homem
Desvirginando a madrugada com filosofias e
TOCs...
Por não conter no peito a angústia
Nos olhos a venda, e na alma o pecado?
Pode a ideia ser retrógrada, sem sentido
E solitária quanto a lírica do moço?
Que sono é esse que assombra e faz lembrar a morte?
Então é verdade que são companheiros,
donos das células dos nossos corpos?
Serão cúmplices o cobertor e o travesseiro
Os amigos traiçoeiros e as promessas mentirosas?
Será o medo o motivo de um monólogo
Que coloca a prova o ato de viver com tantos medos?
De quantos atos somos feitos?
De um bocado?
Encontrados em roteiros corriqueiros?
Somos nós de autoria própria ou
Produzidos por um Mestre que está além do limbo de nossas mentes?
E o infinito existe, se esse limbo ainda insiste em achar que universo é uma extensão da gente?
E a idade?
É indicativo de sanidade ou é mera formalidade
Pra encarcerar quem tente entender essa corrente
Que liga uns e outros, muitas vezes... Dito loucos
Que viajam livremente sobre a tênue linha
Da loucura e da hipocrisia!
E o tempo?
Será o motivo da exaustão e
que deixa à margem os menos evoluídos?
A evolução é um fator em evidência ou
Sinônimo de decadência de um Império em ascensão?
Serei eu um visionário irrelevante
Com seus espectros, Desnorteado
Sem lugar nem direção?
E essa lógica?
Parece ser uma contextualização correta?
Se for, ainda assim
Restam dúvidas!
Mas... E essas dúvidas?
Seriam um trunfo ou uma glória?
Mais certo, nada!

_ H. M . B _

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

E S S E N C I A



Sexo Drogas e Rock'n Roll. Êxtase. Bobagem. Bagagem. Sanidade. Óbito. Obituário. Mamadeira. Morreu quando nasceu por excesso de talento e escreveu um refrão arranhado, marcado, descompassado, desvinculado de tudo que viu e ouviu. Fênix, renasceu e se desiludiu outra vez, ressurgiu. Relicário. Memórias dispostas em notas de rodapés. Desenhos, rabiscos, retratos. Quadros, quadrilha, vida regular. Vida besta. Alquimia. Quimera, quem dera tivesse feito outro verso, certo, diferente do negro do outono frio. Pintado uma primavera de flores, quem dera! Quem dera sem algemas ou calabouços, encontrasse num outro sujeito um moço descente, menos dissimulado, menos ousado e mais prudente, um sujeito sortudo. Sorte. Riso. Sono. Sonho. Janelas, abertas com vista pro mar. Perdido sem tempo deslumbrando o azul imenso do céu. Mistério. Estrela cadente. Pedido de olhos fechados um dia a mais para contemplar o sol. Poente. Ponte. Outubro. Novembro. Dezembro. Janeiro. Fevereiro se aproxima. Tereza espera. Impaciente. Médico. Paciente. Essencial. Terapia. Essência. Terapeuta. Mente, mente, mente! Um ano a mais até abril, pelo menos, sem mentiras, sendo gente sã. Saudável, com pulmões funcionando a pleno vapor, sem fumaça. Só vermelho correndo nas veias e permitindo aproveitar um dia a mais a vida inteira como tal, sem personagens, longe dos palcos que a consumiu e desapareceu deixando apenas I N T E R R O G A Ç Ã O.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Aquela Nota Sol

Aquela nota Sol


Na primeira nota você já atina ao som
Pensa que conhece, mas, não Conhece
Não.
Essa é nova,
Abre a porta pra falar de solidão.

Tinha um acordo de autoria, de palpite
de participação.
Mas não cabia não,
Mas não cabia não.
Aquela nota era um sol
E tava um breu, uma escuridão
E não cabia sol
Na minha solidão.

Sol/Solidão
Sol/Solidão
Solidão/Sol
E não fazia sol
na minha Solidão.

Amor de ET


Eu já disse a você e cansei
Eu não sou um ET e não sei,
Que raio de bobagem, mas
Que insanidade!

E se eu vim de marte e daí?
O que é que eu posso fazer?
Você diz que me ama assim,
mesmo assim diz que sou um...
Etc...

Um pouco de bobagem faz bem,
E deixa de bobagem meu bem.
Chega aqui que eu quero te beijar,
Tanta coisa quero te falar!
Não quero ir pro espaço
E ET apaixonado, acredite
Faz mal.


Aquela colônia cara.


Você tá emburrada comigo,
Só porque não te dei aquela
Colônia cara.

Se é isso vamos, saia comigo.
Que eu te compro essa tal
Colônia cara.

Esse quadro parecia mais com você
Eu pensei que fosse uma fã de Debret
Me enganei ao pensar que era a sua cara.

Me enganei de mais...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Abraço




Me abraçou, mudou tudo.
Estava prestes a eclodir, mas
a erupção não veio
e a lava,
me matou por dentro.

Esse amor tá tão difícil!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Absolutamente


Copo d'água na mesa.
Drink. Salgada!
Meu corpo não produz 
mais lágrimas, meu riso, 
Acho, nunca mais
Tem graça!

terça-feira, 8 de julho de 2014

D E R R E P E N T E

D E R R E P E N T E


De repente eu sei,
De repente eu sou,
De repente eu posso.
E assim logo vou,
E assim logo passo.
Assim breve, assim...
De repente!

Metamorfose.


Gosto do tempo que passa
por mim e depois
pergunta-me quem sou!


Cai Chuva

A grota ecando alto e os sapos 
cantando na madrugada,
Logo mais tem terra molhada!

À beira do lago


À beira do lago
 o reflexo do menino brincava 
de dançar nas ondulações que cismavam em ser
ondas.

Brevemente


Corpo minha casa,
Minha civilização,
Erguida com substâncias divinas.
Minhas células, minha consciência.
Meu rio de sangue,
Meu pântano, meu mar.
Casca, casulo.
Ponte de encontro, e de partida!
Ninho de vespas,
Sereno da noite.
Ponto de interrogação!
Corpo, minha Kriptonita,
Minha breve estadia,
Minha passagem de ida
Pro outro lado...
Da vida!

Quando os sentidos falham, a alma transborda e fala.









segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Trânsparencia

Não quero mais essa alma velha,
Nem esse rosto falso.
Não quero mais esse riso pouco.
E essa mania que nem minha é!
Não quero mais espelho no quarto.
Tô com medo, Tô mudando.
Morar de aluguel é muito chato
E caro!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Noutro porto!


O garoto parecia entediado, e não era de se estranhar, pois, tudo o que tinha era sua escrivaninha, telas, e pinceis. Pintava o céu de roxo desbotado com nuvens vermelhas, e o mar cobria de negro. Acima dele pôs um arco-íris de três cores, branca, Bege e marrom.
Suas lágrimas enchiam o vazio daquele mar e então seus contornos tornavam-se peixes. Piranhas devoradoras de sonhos, à espreita, camufladas em negro oceano para matar o mais pífio sinal de esperança que surgisse. Não entendo o porquê, mas, teve a ideia absurda de navegar em meio ao perigo e puxou algumas linhas e criou um barquinho de papel. Talvez não fosse um grande artista plástico, e testando suas habilidades se perdeu. O mar que ele criara continha uma forte força gravitacional ou quem sabe fantasmas, demônios, ocultos desejavam explodir seus pulmões e leva-lo para um limbo ainda maior.
As piranhas se aproveitaram de sua fragilidade e vieram tratar de retalhar ainda mais sua carcaça. Era só o que lhes restava, pois, a alma do garoto havia sido pescada por um artista certamente mais talentoso e com vasta experiência de vida. Ao abrir os olhos, não vira escrivaninha, telas nem pinceis. O outro pescador havia jogado fora tudo que lembrava ao fraco garoto entediado de viver. O outro pescador, também havia retocado sua própria carcaça. O céu não era mais desbotado nem tampouco o mar era negro. Depois que entendeu, partiu, foi aportar noutra vida, qual soubesse compreender.
E enquanto a caravela sumia na imensidão, ouvi algumas palavras ecoando no infinito, era o garoto que gritava:_ Nunca mais limbo... Nunca mais limbo... Nunca mais limbo!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Carta aos avós

Senhora, se você observar bem, perceberá as minhas unhas roídas e os meus dedos feridos. Isso senhora é ansiedade e às vezes medo.
Senhor, se você prestar bastante atenção saberá que temo sempre uma má palavra ou uma má interpretação sua.
Senhora, quando você passa por mim e começa a sussurrar, saiba que um frio percorre minha espinha e vai até a nuca e me faz rezar para que você não esbraveje comigo, mesmo quando não lhe dou motivos.
Senhor, quando eu baixo o volume do som saiba que é porque espero que você venha me dizer como as músicas que ouço são ruins e como estou lhe incomodando.
Senhora, quando você me olha e saí sem me dirigir a palavra, eu entendo isso como um sinal de desaprovação por algo que fiz, mas, não sei o que fazer por que não percebo o que provocara a sua reação.
Senhor, todas as vezes que você me julga pelos trabalhos que desenvolvo com relação a arte saiba que está matando os meus sonhos e ainda me faz evocar imagens de uma enxada, machado, serra, serrote, lenha, carvão ou outro trabalho mais sofrido que tenha feito.
Senhora, cuidado com as suas palavras, e com o seu silêncio...
Senhor, cuidado com a sua arrogância, e com a sua ignorância...
Senhores, sempre que vocês me negam as chaves de casa, estão me dizendo que não confiam em mim, que sou um desconhecido, ou, algo pior...
Senhores se vocês olharem bem para aquela direção e voltarem suas lembranças para o passado, dezenove anos atrás, perceberão que me viram crescer bem debaixo de seu teto, que me deram educação, dignidade, honestidade, humildade, humanidade, me deram índole, e que por isso, não têm motivos para desconfiarem de mim.
Senhores se vocês têm consciência e acreditam que me ensinaram tudo o que puderam e mais um pouco, fiquem tranquilos... Tenham paciência, pois eu não sou um estranho, e menos ainda... Estranho
Senhora, eu sinto muito por não conseguir fazer o café no ponto em que você gosta.
Senhor, eu peço que me desculpe por não ter o emprego que você idealiza para mim.
Vô,
Vó.
Faz algum tempo que passei da puberdade e outro tempo mais que deixei de ser criança.
Vó,
Vô.                                                                                                           

Eu... Já tô na faculdade!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Suplício de um coração doente





Está presa na garganta, e eu
Esqueci-me de avisar.
Tranquei as portas, e o choro
Está preso.
E os olhos, estão secos.
E a mágoa...
Fria como um prato de sopa,
Que ninguém ousa tocar!
A chave está perdida.
Atirei-a com todas as forças,
No deserto mais inóspito que conheço,
Com pesar, e lástima,
Seu coração.
Minha vida passa e atropela,
Feito trem descarrilado,
Meus anseios e sonhos de rapaz casto.
Enquanto sua genitália continua
A implorar, por canalhas
Que a possuam.
E quando penso sobre tudo,
Todas as promessas feitas,
A casa, nós dois na varanda,
Os filhos no jardim,
E o sorriso em nossos lábios
Contemplando a beleza da cena,
Lembro também da vida
Clandestina, do amor
Não correspondido e da mentira
Que resseca a boca e prende

A angústia... Na garganta.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Frágeis Brinquedos


Crianças brincavam à beira da calçada, e a três passos estava à estrada que tremia com o passar dos carros, ônibus, caminhões... Pedestres e ou mesmo bicicletantes não se atreviam, nunca se aventuraram por entre as buzinas vorazes, ferozes, mortas de desejos por sangue nos para-brisas. E aconteceu, a desgraça!
Num átimo de segundo, o menininho que montava um velocípede descontrolou-se e entrou no caos da estrada, alimentando a esperança dos automóveis de alimentarem as estatísticas. Tive que fazer uma prece aos céus, apelar pela misericórdia do pai celeste, mas, não tive ânimo para dobrar os joelhos e apenas cobri o rosto com as mãos, espreitando por entre os dedos e agonizando em desespero.
No meio da prece fiquei admirado, o pai do coitado, estava sentado numa cadeira de balanços observando a desventura do filho. Não se levantou tarde, não se levantou nunca... E os automóveis, as estatísticas se banquetearam.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mundo Amarrotado




Desde quando o mundo está perdido?
Ou faz tempo, absurdo, que penso,
Ou me perdi na curva, absurda, do pensamento.
Da perdição.
Quem sabe eu não... Eu não saiba, a resposta.
E não posso exigir da memória
Mais que o regresso ao ano de
Mil novecentos e noventa e três.
Ano que nasci.
Mas aposto que bem antes disso o mundo
Já estava perdido.
As pessoas já estavam desenganadas.

A vida terrena foi dada como morta.
Dois mil e dois chegou, e... Passou...
O fim se aproximara, mas quando nos viu de perto.
Não se atreveu a entrar.
As pessoas eram hostis, nada acolhedoras.
Foi-se embora.
Prometeu voltar recentemente
Mas também não se atreveu,
Os produtores cinematográficos
Embelezaram de mais a maneira como aconteceria
E então, o fim não se atreveu.
Teve medo de não corresponder às expectativas.
Voltou para órbita, para o espaço.
Ficou nos observando. E viu:
Viu mãos que matam
Cérebros grandes
Seres que mentem
Máquinas imensas
Ganância
Engenhosidade
Deuses brincando de construir,
Destruindo o que Deus criou!
Não sabe se volta.
Acho que não volta.
Que tragédia
Que lástima!
Percebeu que não precisaria acabar conosco,
Que já estamos de luto!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Serpentes




Era esperta, uma cobra, persuasiva e perigosa. Veio sensualizando, sussurrando em meu ouvido e querendo chupar meu pênis. Promíscua! Queria mesmo era me manipular para encontrar respostas, descobrir segredos, desvendar mistérios, destruir vidas. Cismado que sou, percebi sua intenção antes que me rendesse ao desejo. Se fosse por instinto e não medisse a razão daria a ela exatamente o que queria.
Ela continuou subindo em cima de mim, tentando me masturbar, e me disse que nunca eu encontraria uma língua tão hábil quanto à dela, ou útero tão quente. Não aguentei, e agora que havia racionalizado tudo, me rendi. Gozei como nunca, tremi, e urrei como urso. E ela ficou esperando o troco, que eu lhe contasse o segredo, mas eu simplesmente subi a calça, vesti a camisa, calcei o tênis e saí.
Ouvi-a me acusar de guardião de memórias e me atribuir outros sinônimos mais. Tinha uma boca bem porca, mas, no final das contas não era tão perigosa, nem esperta quanto pensei. Melhor que ninguém deveria saber que é da natureza do homem agir por conveniência, ser manipulador e persuasivo, tal qual a cobra.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Contando estrelas


E ficou ali parado, olhando o céu, de noite, no sereno, na companhia de si mesmo. Despedindo-se do domingo. Capaz que havia contado estrelas. Tinha uma verruga no dedo!

sábado, 20 de abril de 2013

Abandono


E fiquei esperando no banco da praça enquanto papai sumia na esquina. Disse que voltaria logo, só iria ali comprar cigarro, pra ele, pão e leite pra mamãe e eu.
Era à tardinha e um belo crepúsculo enfeitava o céu.  Misturei-me às cores, e não sei, não sei se anoiteceu ou se fui eu quem fechou os olhos e acabou por adormecer. Só sei que uma mão me sacudiu, então, despertei. O rosto não me era familiar, um estranho, não restou dúvidas. Ele só quis me alertar dos perigos que circulavam a praça enquanto noite, depois foi embora, e eu também, é que papai não voltou.
Tive que amadurecer depressa para comprar leite e pão para mamãe e eu, ou a vida me atropelaria. Mamãe coitada estava ainda mais enferma. Eu quase não dormia, só fazendo bicos pro gasto dos remédios. E todos os dias era a mesma peleja, mas, sempre passava por aquela praça. Um dia vi o homem que sumiu na esquina, fui até lá e ele me pediu cigarro.Atendi seu pedido. Depois disso, nunca mais o vi, deve ter morrido de câncer, perecido num banco de praça qualquer.
Não guardo rancores, ao menos me deu um presente; Fez-me contemplar um dos mais belos crepúsculos que vi na vida!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Gente Hipócrita





O mundo está sofrendo com overdose de hipocrisia. Filho avisa sua mãe, beata, que seu pai come sua tia, mas fala pra ela não fazer muito alarde. É que se não o caso dela com o padre lá da igreja, aquele mesmo, que os fez jurar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, esses votos de casamento, vem à tona!
Menino, se isso estoura... Vai envolver a paróquia, vai virar manchete de jornal, e vai ser caso de polícia. É que ele andou furtando!
Mas isso será o de menos. Haverá explicação.
Estava juntando um dinheiro para comprar um lugar melhor no céu pros seus irmãos e irmãs.
Só quero é ver como ele vai explicar pro seu pai, o prefeito, que abriu mão do celibato em prol de perpetuar sua espécie. Espécie fajuta, mesquinha, hipócrita!
Se bem que pensando bem, também não terá problema!
Ele tem o prefeito nas mãos. Causo antigo. Uma fraude na prefeitura.
A velha história de Clero e Nobreza. Lembra-se disso? Não?
Verdade, não lembra. Esqueci que sua professora de história era uma gostosona que vivia se insinuando pra você.
Não te culpo, não pode segurar e traçou mesmo.
Afinal de contas, esqueci-me de contar que você é filho do padre.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Espetáculo


Tinha um corpo inchado.
Na cara um marrom desbotado
e uma lágrima pintada de azul.
No canto dos lábios, vermelho!
Franzia o cenho amaçado,
e mordia, ficava enrugado, ficava vermelho.
Dava pirueta, fazia um rodeio...
um rodeio, um rodeio... 
de pés nos chão, como se fosse um peão.
Em uma das mãos um cordão, 
noutra punha uma luva de boxe.
Quem sabe queria amarrar,
e prender, e laçar, ou,
matar, sua plateia, espetacular,
de rir.
E no centro do picadeiro,
o cara inchado continuava.
Brincava, corria, pulava, rodava e gritava;
_Eu sou um palhaço.
Mas ao final do espetáculo,
quando as cortinas em fim se fechavam,
por detrás da lona turvada, a lágrima azul desbotada
caia e sumia!
O cenho vermelho, desaparecia, sumia...
a alegria!
E o vermelho do lábio era sangue, que agonia! 
Quantas marcas trajava? Quantas cicatrizes a tinta cobria?
Disfarçava o cenho sofrido. Magia,
de quem era mesmo um peão.
Enquanto girava, a luva de boxe nas mãos
mostrava que o palhaço era também guerreiro.
Sabia viver sem enlouquecer com o mundão.
E a plateia lá fora, eufórica, impressionada,
sorria, só ria e esperava
Enquanto o palhaço pintava seu rosto
de tinta e voltava para o picadeiro
e brilhava... Tendo às mãos um cordão e 
suas luvas de boxe. Acrescentando à sua vida dupla
mais um capítulo de sua história!